A água é o componente mais importante no processo de hemodiálise, representando mais de 95% do fluido utilizado durante o tratamento.
Um paciente em hemodiálise é exposto a aproximadamente 360 litros de água por semana, tornando fundamental que essa água seja submetida a um tratamento rigoroso para eliminar contaminantes que podem causar sérios danos à saúde.
Este artigo apresenta os principais componentes e etapas do sistema de tratamento de água para hemodiálise, destacando sua importância para a segurança e eficácia do procedimento.
A importância da água no tratamento de hemodiálise
Na hemodiálise, a água desempenha um papel vital, sendo o veículo primordial no processo de filtração sanguínea em pacientes com problemas renais.
Durante o procedimento, o sangue do paciente entra em contato indireto com a água através de uma membrana semipermeável do dialisador, permitindo a remoção de toxinas e o equilíbrio de eletrólitos.
Contudo, se essa água não for adequadamente tratada, contaminantes químicos, bacteriológicos e tóxicos podem atravessar a membrana e contaminar o sangue do paciente, provocando efeitos adversos potencialmente fatais.
Desde o início da terapia dialítica, diversos transtornos diagnosticados em pacientes foram atribuídos às impurezas presentes na água utilizada no procedimento.
Por isso, a qualidade da água usada na hemodiálise é considerada essencial para garantir a segurança e eficácia do tratamento, sendo um componente imprescindível para sustentação da vida desses pacientes.
O que é um sistema de tratamento de água para hemodiálise
O sistema de tratamento de água para hemodiálise é responsável por transformar a água potável em água apta para uso em procedimentos hemodialíticos.
Esse sistema é composto por dois subsistemas principais: o Subsistema de Abastecimento de Água Potável (SAAP) e o Subsistema de Distribuição de Água Tratada para Hemodiálise (SDATH).
A água tratada pelo STDAH é utilizada não apenas no procedimento de hemodiálise em si, mas também na preparação do dialisato (solução de diálise), na limpeza e purificação do próprio sistema e em outros processos relacionados ao tratamento.
O dialisato é uma solução resultante da diluição do Concentrado Polieletrolítico para Hemodiálise (CPHD) em água tratada, na proporção adequada para uso.
Componentes do sistema
Um sistema de tratamento de água para hemodiálise inclui vários componentes dispostos em sequência, cada um com função específica para garantir a remoção progressiva de contaminantes.
Conheça os principais componentes envolvidos neste processo:
Pré-tratamento
Nesta fase inicial, ocorre a remoção de grandes partículas e substâncias químicas mais evidentes. Geralmente inclui:
- Filtros de areia ou carvão ativado, para eliminação de partículas sólidas e cloro.
- Sistema de abrandamento para reduzir a dureza da água, removendo minerais como cálcio e magnésio.
Osmose reversa
A osmose reversa é o núcleo central do sistema de tratamento.
Este processo utiliza membranas semipermeáveis que retêm quase todos os tipos de impurezas, incluindo vírus, bactérias, metais pesados e outras substâncias dissolvidas.
- Elimina mais de 95% dos contaminantes químicos e microbiológicos.
- Reduz drasticamente o risco de infecções e contaminações.
Pós-tratamento
A etapa final visa garantir a pureza microbiológica contínua até o uso clínico. Normalmente, inclui:
- Luz ultravioleta (UV) para desinfecção adicional, destruindo bactérias e vírus residuais.
- Ultrafiltração para remoção final de endotoxinas e partículas pequenas.
Padrões de qualidade e controle
No Brasil, o sistema de tratamento de água para hemodiálise é rigorosamente regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
Clínicas e hospitais devem realizar análises periódicas da água para garantir o cumprimento dos padrões exigidos, com controles microbiológicos e químicos frequentes.
Alguns parâmetros essenciais avaliados incluem:
- Contagem de bactérias e endotoxinas.
- Presença de cloro residual.
- Teores de metais pesados como alumínio, chumbo e mercúrio.
Esses testes garantem que a água se mantenha segura e eficaz para uso em tratamentos renais crônicos.
Riscos associados à água inadequadamente tratada
A água inadequadamente tratada para hemodiálise pode causar diversos problemas de saúde aos pacientes, alguns potencialmente fatais.
Entre os principais riscos associados aos contaminantes da água, destacamos:
- Cloraminas: Podem causar hemólise (destruição dos glóbulos vermelhos), anemia e metahemoglobinemia.
- Alumínio: Pode causar encefalopatia dialítica, anemia microcítica e doença óssea (osteomalácia.
- Cálcio e Magnésio: Em excesso, podem provocar a “síndrome da água dura”, caracterizada por náuseas, vômitos e hipertensão durante a diálise.
- Flúor: Em concentrações elevadas, pode causar náuseas, vômitos e até morte.
- Bactérias e endotoxinas: Podem provocar reações pirogênicas (febre, calafrios, tremores), hipotensão e, em casos graves, choque séptico.
- Nitrato: Pode causar metahemoglobinemia, reduzindo a capacidade de transporte de oxigênio no sangue.
- Cobre e Zinco: Podem causar náuseas, vômitos e danos hepáticos.
Cuidados e manutenção preventiva
Para manter o sistema funcionando adequadamente, é essencial realizar uma manutenção preventiva rigorosa, incluindo:
- Limpeza periódica das membranas e filtros.
- Troca de componentes conforme indicação do fabricante.
- Monitoramento contínuo dos parâmetros da água tratada.
A manutenção correta prolonga a vida útil do sistema e evita falhas que podem colocar em risco a segurança do paciente.
Conclusão
O sistema de tratamento de água para hemodiálise é um componente fundamental para garantir a segurança e eficácia do procedimento.
A complexidade deste sistema reflete a importância da água de alta qualidade no tratamento de pacientes renais crônicos, que dependem da hemodiálise para sobreviver.
A evolução dos processos de tratamento, especialmente com a adoção generalizada da osmose reversa, trouxe melhorias significativas na qualidade da água para hemodiálise.
No entanto, ainda são necessários vigilância constante, manutenção adequada e monitoramento rigoroso para garantir que a água atenda aos padrões exigidos.
Por isso, investir em sistemas de tratamento de água eficientes e em capacitação profissional é investir diretamente na qualidade de vida e na segurança dos pacientes que dependem da hemodiálise.